correções
- Parte A -
A maior flor do mundo
Logo
na primeira página, sai o menino pelos fundos do quintal, e, de árvore em
árvore, como um pintassilgo, desce ao rio e depois por ele abaixo, naquela
vagarosa brincadeira que o tempo
alto, largo e profundo da infância
a todos nós permitiu…
Em
certa altura, chegou ao limite das terras até onde se tinha aventurado sozinho.
Dali para diante começava o planeta
Marte, efeito literário de que ele não tem responsabilidade, mas com que a
liberdade do autor acha poder hoje aconchegar a
frase. Dali para diante, para o nosso menino, será só uma pergunta sem literatura: “Vou ou não vou?” E foi.
O
rio fazia um desvio grande, afastava-se, e de rio ele estava já um pouco farto,
tanto que o via desde que nascera.
Resolveu cortar a direito pelos campos, entre extensos olivais, ladeando
misteriosas sebes cobertas de flores brancas, e outras vezes metendo por
bosques de altos freixos1 onde
havia clareiras macias sem rasto de
gente ou bicho, e ao redor um silêncio que zumbia, e também um calor vegetal, um cheiro de caule sangrando
de fresco como uma veia branca e verde.
Ó
que feliz ia o menino! Andou, andou, foram rareando as árvores, e agora havia uma charneca2 rasa, de mato ralo3 e seco, e no meio dela uma
inóspita4 colina redonda
como uma tigela voltada.
Deu-se
o menino ao trabalho de subir a encosta, e quando chegou lá acima, que viu ele?
Nem a sorte nem a morte, nem as tábuas do destino… Era só uma flor. Mas tão
caída, tão murcha, que o menino se
achegou5, de cansado. E
como este menino era especial de história, achou que tinha de salvar a flor.
Mas que é da água? Ali, no alto, nem pinga.
Cá por baixo, só no rio, e esse que longe estava!...
Não importa.
Desce o menino a montanha,
Atravessa o mundo todo,
Chega ao grande rio Nilo
No côncavo6 das
mãos recolhe
Quanto de água lá cabia,
Volta o mundo a atravessar,
Pela vertente se arrasta,
Três gotas que lá chegaram,
Bebeu-as a flor sedenta.
Vinte vezes cá e lá
Cem mil viagens
à Lua,
O sangue nos pés descalços,
Mas a flor aprumada7
Já dava cheiro no ar,
E como se fosse um carvalho
Deitava sombra no chão.
O menino adormeceu debaixo da flor.
José Saramago,
A Maior Flor do Mundo, 6ª edição, Editorial Caminho, 2010
Vocabulário: 1freixos – árvores frequentes nas águas
dos rios; 2charneca – terreno plano onde apenas cresce vegetação rasteira; 3ralo – pouco denso; 4inóspita
– agreste, inabitável; 5se achegou – se aproximou; 6côncavo – cova ou cavidade; 7aprumada – bem direita.
cenários de resposta
1- O texto “A maior flor do
mundo” é composto por uma parte escrita em prosa e por outra parte que está escrita em verso Esta história foi escrita por um autor português.
2.1. brinca com um
pintassilgo.
2.2. descobriu, no cimo da encosta, uma flor ressequida.
2.3. tinha abrido as grandes pétalas perfumadas.
3.1. primavera.
4. Por exemplo:
"persistente": «Vou ou não vou? E foi.» (linha 7)
"Generoso": «E como este menino era especial de história, achou que tinha de salvar a flor.» (linhas 17-18)
5. 1 água / 2 campainhas / 3 caules / 4 flor / 5 / montanha / 6 / olivais / 7 planta
6.
Nome próprio - Lua
Nome comum (todos) - viagens, sempre, pés, flor, cheiro, ar
adjetivo (todos) - descalsos, aprumada
verbo - dava
Parte B
1- (por exemplo) "não há vida sem água".
2. Dentro de casa: (por exemplo) "não deixes a água a correr enquanto lavas os dentes ou as mãos".
Fora de casa: (por exemplo) "rega as plantas de manhã ao à noite".
3. Resposta livre. Por exemplo: "bom dia, por que não desjiga a água enquanto ensaboa o carro? assim pouparia água, que é um recurso finito e faz falta a todos.
4 . Na minha casa, eu lavo (lavar) a roupa e a loiça na máquina.
2.2. descobriu, no cimo da encosta, uma flor ressequida.
2.3. tinha abrido as grandes pétalas perfumadas.
3.1. primavera.
4. Por exemplo:
"persistente": «Vou ou não vou? E foi.» (linha 7)
"Generoso": «E como este menino era especial de história, achou que tinha de salvar a flor.» (linhas 17-18)
5. 1 água / 2 campainhas / 3 caules / 4 flor / 5 / montanha / 6 / olivais / 7 planta
6.
Nome próprio - Lua
Nome comum (todos) - viagens, sempre, pés, flor, cheiro, ar
adjetivo (todos) - descalsos, aprumada
verbo - dava
Parte B
1- (por exemplo) "não há vida sem água".
2. Dentro de casa: (por exemplo) "não deixes a água a correr enquanto lavas os dentes ou as mãos".
Fora de casa: (por exemplo) "rega as plantas de manhã ao à noite".
3. Resposta livre. Por exemplo: "bom dia, por que não desjiga a água enquanto ensaboa o carro? assim pouparia água, que é um recurso finito e faz falta a todos.
4 . Na minha casa, eu lavo (lavar) a roupa e a loiça na máquina.
Quando rego (regar) o jardim, utilizo (utilizar) apenas a água do poço.
Eu tomo (tomar)
banho de duche e não de imersão. Assim, não gasto (gastar) tanta água.
Quando me ensaboo (ensaboar), desligo (desligar) a água.
Eu poupo (poupar) muita água, porque,
quando lavo (lavar)
os dentes e as mãos, não deixo (deixar)
a água a correr.
Expressão escrita
A
Natureza oferece-nos espaços únicos e paisagens inesquecíveis onde podemos
viver momentos agradáveis e divertidos.
Escreve
um texto narrativo, no qual descrevas um acontecimento inesquecível, real ou
imaginado, passado num espaço natural, na companhia de alguém importante para
ti.
O teu texto deve:
àter um título adequado;
àreferir o que se passou e o
que sentiste;
àser correto e bem
estruturado;
àconter entre 50 a 80
palavras (ou mais se estiveres inspirado/a)!!!!.
RESPOSTA LIVRE:
EXEMPLO DE UM TEXTO:
EXEMPLO DE UM TEXTO:
UM DIA DIFERENTE
Certo dia de verão, decidimos passar uma tarde em família na praia. A
praia não ficava
muito longe da nossa casa, por isso fomos até lá a pé. Quando chegámos
fomos de imediato estender as nossas toalhas e de seguida fomos dar um mergulho.
A tarde passou entre brincadeiras e até comemos um gelado. Já estávamos a
pensar em ir embora, quando ao longe vimos quatro golfinhos que saltavam de um
lado para o outro como se estivessem a brincar. Senti,
nesse momento, o quanto é belo ser surpreendida pela Natureza. Os golfinhos que
eu tinha visto apenas na televisão estavam ali, à frente dos meus olhos.
Gostei muito desse dia porque nunca tinha visto golfinhos na praia.
Anamar Frederico (corrigido e adaptado)
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